Concentrador PPPoE: como escolher a capacidade certa para sua base
O concentrador PPPoE autentica cada cliente que se conecta. Veja o que decide sua capacidade real e os sinais de que ele já está pequeno demais para sua base.

Concentrador PPPoE: como escolher a capacidade certa para sua base
O provedor cresce de trezentos para mil e duzentos clientes em dezoito meses, comemora cada instalação nova, e um dia a equipe de suporte começa a receber reclamações estranhas: clientes que caem e demoram para reconectar, principalmente entre 18h e 22h. Ninguém mexeu em nada na rede de acesso, os links de upstream estão longe do limite, as OLTs estão saudáveis. O problema, quando finalmente é encontrado, está num equipamento que ninguém olha com frequência porque "sempre funcionou": o concentrador PPPoE, que segue autenticando sessão por sessão com a mesma capacidade configurada desde quando a base era um terço do tamanho de hoje.
O que o concentrador PPPoE realmente faz
O concentrador — também chamado de BRAS (Broadband Remote Access Server) em contextos mais formais — é o equipamento que recebe as sessões PPPoE de cada cliente, autentica via RADIUS (geralmente contra um banco de usuário e senha vinculado ao sistema de gestão), aplica perfil de velocidade e mantém aquela sessão ativa enquanto o cliente estiver conectado. O protocolo PPPoE em si está descrito na RFC 2516, e a autenticação via RADIUS segue a RFC 2865. Cada sessão ativa consome memória e processamento do concentrador — não é um recurso infinito, mesmo que a banda de internet disponível seja generosa.
Os recursos que realmente limitam a capacidade
Dimensionar um concentrador não é olhar só "quantos clientes ele suporta" num folheto de fabricante — esse número é referência, não garantia. Os fatores que pesam de verdade:
- Memória RAM disponível: cada sessão ativa ocupa uma tabela de estado; equipamento subdimensionado começa a descartar ou atrasar novas sessões quando a memória fica escassa.
- CPU para criptografia e roteamento: se o concentrador também faz NAT, firewall ou QoS por sessão, a CPU sofre bem antes da memória.
- Throughput agregado da interface física: um concentrador pode aguentar o número de sessões, mas não a soma de banda que essas sessões exigem simultaneamente.
- Latência do servidor RADIUS: se a autenticação demora, picos de reconexão simultânea (depois de uma queda de energia numa região, por exemplo) sobrecarregam o processo de autenticação antes mesmo de a sessão estabilizar.
Os sinais de que o concentrador já está no limite
Um concentrador saturado raramente avisa com um alarme claro — ele degrada aos poucos. Os sinais mais comuns: tempo de autenticação que cresce visivelmente em horário de pico, reconexões que falham na primeira tentativa e só funcionam na segunda, CPU do equipamento passando de 70-80% de forma sustentada (não só em picos isolados) e, em casos mais graves, sessões caindo em lote sem motivo aparente na rede de acesso. Esse último sintoma costuma ser confundido com problema de OLT ou de energia, quando na verdade a causa está no próprio concentrador não aguentando reautenticar todo mundo de uma vez.
Hardware dedicado x roteador genérico fazendo o papel de BRAS
Provedores pequenos costumam começar usando um Mikrotik de linha CCR ou similar como concentrador, o que funciona bem até certo volume de sessões — a própria capacidade de processamento de pacotes por segundo da linha de roteador escolhida define esse teto. Conforme a base cresce, a decisão que aparece é migrar para um equipamento dedicado de BRAS, com hardware otimizado especificamente para autenticação e gerenciamento de sessão em volume alto. Não existe um número universal de "a partir de X mil clientes, troque" — depende muito do modelo específico, da configuração de recursos adicionais rodando no mesmo equipamento (firewall, QoS, NAT) e do perfil de uso da base.
Passo a passo para avaliar se está na hora de expandir
1. Levante o número de sessões simultâneas em horário de pico, não o número total de clientes cadastrados — nem todos conectam ao mesmo tempo.
2. Compare com o limite prático do equipamento atual, testado ou informado pelo fabricante, com margem de segurança de pelo menos 30%.
3. Monitore CPU e memória do concentrador continuamente, não só quando já existe reclamação.
4. Projete o crescimento dos próximos 6 a 12 meses com base no ritmo real de novas instalações, não numa estimativa otimista de vendas.
5. Decida entre upgrade do equipamento único ou distribuição em múltiplos concentradores por região — a segunda opção também reduz o impacto de uma eventual falha, já que um problema não afeta a base inteira de uma vez.
Múltiplos concentradores: quando faz sentido dividir
Distribuir a base entre dois ou mais concentradores, cada um atendendo uma região ou uma faixa de clientes, tem uma vantagem que passa despercebida: além de aliviar a carga individual de cada equipamento, isola o impacto de uma falha. Se um concentrador trava, só a fatia de clientes atendida por ele cai — não a base inteira. Para provedores acima de alguns milhares de clientes, essa segmentação normalmente compensa o custo adicional de gerenciar mais de um ponto de autenticação.
O mito de que "banda resolve capacidade de sessão"
É tentador pensar que, se o link de upstream está tranquilo, o concentrador também está. Não está relacionado da forma que parece: um concentrador pode ter banda de sobra passando por ele e ainda assim travar por esgotamento de memória de sessão ou de CPU de processamento, porque o gargalo ali é de estado de conexão, não de largura de banda. São dois recursos independentes, e um provedor pode superestimar sua margem de segurança olhando só o gráfico de banda enquanto o concentrador já está no limite de outra métrica completamente diferente.
Planejar upgrade com dado, não com sensação de aperto
A decisão de trocar ou expandir concentrador costuma ser tomada tarde, quando a instabilidade já virou reclamação recorrente. O ideal é antecipar isso olhando a curva real de crescimento de clientes por região, não a lembrança de "parece que cresceu bastante esse trimestre". O dashboard do ZISP mostra crescimento de base e concentração de clientes por região numa tela só, o que ajuda a projetar quando um concentrador específico vai se aproximar do limite antes que a reclamação chegue primeiro. Veja como funciona em sistema.zisp.com.br.