PPPoE Server no Mikrotik RouterOS: como configurar do zero
Quase todo provedor pequeno começa autenticando clientes com PPPoE Server direto no Mikrotik. Veja o passo a passo básico antes de crescer para algo maior.

PPPoE Server no Mikrotik RouterOS: como configurar do zero
Praticamente todo provedor de internet que nasce pequeno começa do mesmo jeito: uma Routerboard, um punhado de clientes e o PPPoE Server rodando direto no Mikrotik. Faz sentido — é barato, é conhecido, tem tutorial em qualquer lugar e resolve bem até a base crescer. O problema é que boa parte desses provedores configura no improviso, copiando comando de fórum sem entender o que cada peça faz, e isso cobra a conta depois na forma de sessão caindo, IP duplicado ou perfil que não aplica velocidade certa.
As quatro peças que formam o PPPoE Server
Antes de digitar qualquer comando, vale entender que o PPPoE Server no RouterOS é montado em cima de quatro elementos que conversam entre si:
- IP Pool: o intervalo de IPs que será distribuído aos clientes que autenticarem.
- PPP Profile: define velocidade (via rate-limit ou Queue Type), pool de IP associado e outras regras do plano.
- PPP Secret (ou RADIUS, mais adiante): o usuário e senha de cada cliente, vinculado a um profile.
- PPPoE Server Interface: a interface física ou VLAN onde o Mikrotik vai "escutar" as tentativas de conexão PPPoE dos clientes.
Passo a passo básico
1. Crie o IP Pool em IP > Pool, com uma faixa reservada só para PPPoE (evite misturar com IPs de gerência ou DHCP).
2. Crie o PPP Profile em PPP > Profiles, associando o pool criado e definindo o rate-limit do plano (ex.: 10M/10M) ou, melhor ainda, usando Queue Type para ter controle de burst.
3. Ative o PPPoE Server em PPP > Interface > PPPoE Servers, escolhendo a interface (ou VLAN) onde os clientes chegam fisicamente — normalmente uma interface dedicada, isolada da rede de gerência do provedor.
4. Cadastre os secrets em PPP > Secrets, um usuário por cliente, vinculado ao profile correspondente ao plano contratado.
5. Teste a autenticação com um cliente de teste antes de liberar em produção, validando que o IP entregue está na faixa certa e a velocidade bate com o plano.
O ponto onde a maioria erra
O erro mais comum é deixar o PPPoE Server rodando na mesma interface onde trafegam outros serviços — gerência, links de rádio, VPN — sem isolamento por VLAN. Isso cria dois problemas: broadcast desnecessário concorrendo com o tráfego de autenticação, e superfície de ataque maior, já que qualquer equipamento plugado naquela rede física passa a "ver" o server. Separar por VLAN dedicada resolve os dois de uma vez.
Até onde o PPPoE Server nativo aguenta
O PPPoE Server rodando direto no Mikrotik funciona bem até algumas centenas ou poucos milhares de sessões simultâneas, dependendo do modelo da Routerboard (CPU e RAM importam mais que a marca do equipamento). Quando a base cresce além disso, é comum o provedor sentir instabilidade — sessão caindo em horário de pico, CPU no limite — e aí entra a decisão de migrar a autenticação para um concentrador dedicado, seja um Mikrotik maior de borda ou uma solução em Linux como o Accel-PPP.
Cadastro manual não escala — e é aí que o custo aparece
Cadastrar secret um por um no Winbox funciona com 20, 50, talvez 100 clientes. A partir daí, cada cliente novo, cada troca de plano e cada bloqueio por atraso vira um clique manual a mais — e é exatamente esse trabalho repetitivo que consome o tempo do dono que também atende telefone e sobe em poste. O ZISP se conecta via API do RouterOS para criar, bloquear e trocar o profile PPPoE automaticamente a partir do cadastro do cliente no sistema, sem precisar abrir o Winbox pra cada mudança — e para provedor com até 50 clientes ativos o plano é gratuito. Para ver como funciona, dá uma olhada em sistema.zisp.com.br.