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Fibra Óptica

Splitter óptico: como escolher a razão de divisão certa

A razão de divisão do splitter define quantos clientes uma porta da OLT consegue atender — e errar nessa conta custa caro depois.

Por Equipe ZISP6 min de leitura
Caixa de emenda óptica aberta mostrando um splitter conectado a múltiplas fibras coloridas

Splitter óptico: como escolher a razão de divisão certa

O técnico liga do bairro novo perguntando se pode instalar um splitter 1:32 na CTO que só tem oito clientes previstos para os próximos dois anos. Parece desperdício óbvio, mas ao contrário: o problema geralmente é o oposto. Provedor pequeno compra splitter 1:8 pra "economizar", enche a CTO em seis meses e descobre que precisa trocar toda a caixa — com fusão nova, sinal degradado durante a troca e reclamação de cliente que já estava ativo. A razão de divisão do splitter não é detalhe de estoque, é decisão de engenharia que trava sua capacidade de expansão por anos.

O que faz um splitter óptico na prática

O splitter é o componente passivo que pega o sinal óptico de uma única porta da OLT e divide entre várias fibras, cada uma indo para uma ONU diferente na casa do cliente. Ele não amplifica nada — pelo contrário, cada divisão consome potência óptica, porque a luz que sai é distribuída entre mais saídas. É por isso que a arquitetura GPON depende tanto do orçamento de potência: quanto maior a razão de divisão, menos dBm sobra para cada cliente, e menor a distância máxima que a fibra pode percorrer até a ONU sem violar a sensibilidade mínima do receptor.

Splitters existem em duas topologias de instalação: o splitter primário, geralmente instalado no armário óptico perto da OLT ou num ponto de distribuição, e o splitter secundário, instalado dentro da CTO já próximo do cliente final. É comum usar splitter em cascata — um 1:4 no primário seguido de um 1:8 no secundário, por exemplo, resultando numa divisão total de 1:32 pra aquela porta da OLT.

Splitter balanceado x desbalanceado: quando usar cada um

A maioria dos splitters do mercado é balanceada: todas as saídas recebem, teoricamente, a mesma fração de potência. Existe também o splitter desbalanceado (ou assimétrico), que reserva uma parcela maior de potência para uma das saídas — usado, por exemplo, quando uma das pontas precisa alimentar um trecho mais longo de fibra e as outras atendem clientes próximos. Provedor pequeno raramente precisa desse tipo; ele é mais comum em redes que combinam FTTH residencial com um ponto corporativo distante na mesma árvore óptica. Se sua rede é homogênea — clientes residenciais numa distância parecida da OLT — o balanceado resolve sem complicar o estoque.

Razões de divisão mais comuns e o que cada uma significa pro orçamento de potência

  • 1:8: perda de inserção teórica em torno de 9-10 dB. Usado em cascata como primário quando o secundário já divide bastante, ou em áreas de baixa densidade onde não compensa reservar capacidade grande numa CTO só.
  • 1:16: perda em torno de 12-13 dB. Bom equilíbrio para CTOs de bairro com previsão de crescimento moderado.
  • 1:32: perda em torno de 15-16 dB. É o mais usado em redes GPON residenciais no Brasil hoje, porque casa bem com o orçamento de potência de uma OLT classe B+ ou C+ numa distância de até 20 km.
  • 1:64: perda em torno de 18-19 dB. Só compensa com OLT de classe C+ ou superior e distância curta até o cliente, porque o link fica com margem apertada — qualquer perda extra de fusão malfeita ou conector sujo já pode deixar a ONU fora da faixa de sensibilidade.

Cada 3 dB a mais de perda equivale, grosso modo, a dobrar a divisão — não é uma escala linear, e é aí que muita gente erra a conta na hora de somar cascata.

Como calcular quantos splitters cabem numa cascata sem estourar o link

O cálculo básico é: potência de saída da OLT (em dBm) menos a perda total do caminho óptico (splitters + conectores + fusões + margem de segurança) precisa ficar acima da sensibilidade mínima da ONU. Se a OLT sai com +5 dBm, a ONU precisa de no mínimo -28 dBm de sensibilidade, e a cascata é um 1:4 (perda ~7 dB) seguido de um 1:8 (perda ~10,5 dB), mais 2 dB de perdas de conectorização e fusão, o total já soma cerca de 19,5 dB de atenuação — sobrando margem confortável. Trocar essa combinação por um 1:32 único (perda ~15-16 dB) muda a distribuição de perdas mas o resultado final costuma ser parecido; o que muda de verdade é a flexibilidade de expandir por partes. Esse tipo de conta é o mesmo raciocínio usado no orçamento de potência óptica, e vale revisar antes de fechar o projeto de qualquer CTO nova.

Passo a passo para dimensionar o splitter de uma CTO nova

1. Levante quantas casas o bairro ou condomínio tem hoje e a projeção de ocupação para os próximos 3 a 5 anos.

2. Calcule a distância da OLT até o ponto onde o splitter secundário vai ficar.

3. Some as perdas esperadas (splitter primário, se houver, + splitter secundário + fusões + conectores) e compare com o orçamento de potência da OLT e da ONU que você usa.

4. Se a margem de segurança ficar abaixo de 3 dB, reduza a razão de divisão ou aproxime o splitter da OLT.

5. Documente a razão escolhida e a posição do splitter no mapa da rede — sem isso, o próximo técnico vai reabrir a CTO só pra descobrir o que tem lá dentro.

Splitter PLC x FBT: qual tecnologia escolher

O splitter PLC (Planar Lightwave Circuit) é fabricado em chip de silício e domina o mercado GPON hoje: divide de forma mais uniforme entre as saídas, funciona bem em razões altas (1:32, 1:64) e tem resposta espectral estável nas duas faixas usadas pelo GPON (1490 nm downstream e 1310 nm upstream). O FBT (Fused Biconic Taper) é mais antigo, mais barato em razões baixas como 1:2 e 1:4, mas perde uniformidade e estabilidade térmica em divisões maiores. Para redes GPON novas, PLC é praticamente unanimidade; FBT ainda aparece em soluções pontuais de baixo custo, mas não é o que a maioria dos fabricantes recomenda para razão acima de 1:8.

Splitter errado já instalado: dá para corrigir sem trocar tudo?

Dá, e é mais comum do que parece. Se a CTO com 1:32 está saturada, uma opção é criar uma segunda CTO próxima alimentada por outra porta da OLT, sem mexer na existente. Se o problema é o contrário — 1:8 subutilizado numa área que não vai crescer — não compensa trocar, o custo de reabrir a caixa e refazer fusões costuma superar o ganho. O erro mais caro de corrigir é quando a razão de divisão foi calculada sem folga nenhuma de potência: aí sim, às vezes é preciso reduzir a divisão ou aproximar o splitter da OLT, o que implica obra nova.

O splitter certo também é um problema de estoque

Escolher a razão de divisão não é só conta de engenharia — é também decisão de compra. Provedor que trabalha com um único modelo de splitter (geralmente 1:8) porque é o que sobrou de uma promoção antiga acaba forçando cascatas erradas só pra não ficar sem material na hora da instalação. Ter no almoxarifado as razões que a rede realmente usa — 1:8, 1:16 e 1:32, separadas por depósito ou por técnico que está com o material no carro — evita tanto a compra de última hora quanto o improviso que estoura o orçamento de potência. O módulo de estoque do ZISP controla isso por múltiplos depósitos, incluindo o que está na mão de cada equipe de campo, então antes de aprovar uma instalação dá pra saber se o splitter certo está disponível ou se o pedido de compra precisa sair hoje. Veja como funciona em sistema.zisp.com.br.

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#splitter óptico#fibra óptica#GPON#FTTH#rede óptica